| Celulose Riograndense transforma terra guarani em processo de demarcação, em Reserva Particular de Patrimônio Natural |
| Ter, 11 de Maio de 2010 18:15 |
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Em 16 de março ultimo a empresa Celulose Riograndense da companhia chilena CPMC instituiu oficialmente na área de monocultura de eucalipto da fazenda Barba Negra uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) de 2,4 mil hectares de vegetação nativa. A fazenda que possui 10,6 mil hectares está localizada no município de Barra do Ribeiro, uma das municipalidades da Orla do lago Guaíba, no Rio Grande do Sul. A primeira vista, poderíamos pensar que se trata de uma preocupação ambiental manifestada pela Celulose Riograndense, uma forma de compensação voluntária assumida pela empresa para mitigar a devastação causada pelo plantio extensivo do eucalipto que vem realizando na região há mais de trinta anos. Seguir por esta linha de raciocínio seria um equívoco: a instituição de uma reserva particular nesta área é antes de tudo uma estratégica que visa dificultar processo de demarcação da Terra Indígena Guarani Ponta da Formiga, há décadas reinvidicada por estas populações como parte importante de seu território tradicional.
A Celulose Riograndense têm ciência da presença antiga dos guarani no local uma vez que, segundo a ambientalista e indigenista Hilda Zimmermann, nas décadas de 60 e 70 tratores da empresa foram utilizados para destruir cerâmica arqueológica guarani que era encontrada em abundância no nível do solo ainda naquela época. Em julho de 2008 foi designado um grupo técnico para a identificação e delimitação da Terra Indígena Ponta da Formiga através da portaria da FUNAI número 874, e como parte do processo a empresa foi devidamente notificada pela FUNAI em relação a realização deste estudo que encontra-se ainda em execução.
Com o estabelecimento desta reserva, a primeira do tipo no estado, a empresa conseguiu fabricar um fato político que dissimule seus reais interesses, a ser utilizado contra a efetivação da demarcação da terra indígena guarani já iniciada. Possuindo 126 mil hectares de monocultura de eucalipto e se preparando para expandir sua área de plantio em mais 13 mil hectares, a empresa parece não estar inclinada a ceder aos indígenas uma fração que seja, de seu espaço de plantio. De outra parte as lideranças guarani reinteram repetidamente em reuniões com orgãos indigenistas a intensão de exigir da empresa o reflorestamento com mata nativa da área degradada pela monocultura após a demarcação da terra indígena cuja extensão ainda não foi determinada pelo grupo de estudos. Com campanhas anti-indigenas sendo veículadas por autoridades locais e manifestações de hostilidade a idéia de demarcação de terras indígenas tornando-se cada vez mais frequentes, diversas lideranças guarani vêm manifestando sua preocupação com o futuro de suas famílias na região. Em Janeiro deste ano uma casa guarani foi incendiada no acampamento de Flor do Campo, localizado no município de Barra do Ribeiro, junto à BR 116. Fonte: http://povosindigenasrs.wordpress.com |
| Última atualização em Ter, 11 de Maio de 2010 18:26 |


A estratégia encontrada pela Celulose Riograndense foi transformar a área de compensação ambiental já existente de 2,4 mil hectares de mata atlântica (a qual portanto, é obrigada a preservar pela legislação ambiental) em Reserva Particular de Patrimônio Natural (RPPN). Dessa forma criou, sem plantar sequer uma árvore de mata nativa a mais, um parque ambiental, conseguindo a simpatia de alguns ambientalistas, mas também promessa de trabalho na região, e principalmente um espaço de visibilidade eleitoral para aliados políticos que legitimem o projeto, entre estes a governadora do estado, o prefeito de Barra do Ribeiro e deputados do município.