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Ter, 29 de Dezembro de 2009 19:23 |
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Quem trabalha com livro provavelmente deve estar acompanhando com atenção a novidade (pelo menos desse mês) que é o Kindle, o leitor de livros digitais da Amazon. Acompanhei algumas matérias e geralmente é quase impossível distinguir publicidade e matérias de especialistas, pois todas apontam o Kindle como a última maravilha do universo.
Até bem pouco tempo acreditava que esse aparelho ia ser um fracasso. Quem compraria um aparelho de duzentos e sessenta dólares onde só é possível abrir livros, que são vendidos de um único site, em preto e branco e sem nenhuma conectividade com o computador pessoal? Não seria muito melhor comprar um notebook que além de abrir textos faz tudo o que um pc normal faz? Mas pelo que parece o kindle foi sucesso de vendas nos EUA e a amazon.com já anunciou que vendeu mais livros virtuais do que físicos nesse natal graças ao Kindle.
Mas o que me preocupa não é essa falta de bom senso de quem compra essa tralha tecnológica. O consumismo é assim mesmo quem não se lembra da febre dos anos oitenta, o pogobol? Existe brinquedo mais inútil e chato que um pogobol? E todo mundo tinha essa porcaria! E os patinetes? Me lembro de crianças que moravam em ruas sem asfalto tentando empurrar aquela joça no meio de pedregulhos e poças d’água! O que realmente me preocupa é a nova cadeia produtiva do livro na possível era Kindle, algo que até agora ninguém falou. Para quem não sabe o Kindle só permite a compra de livros virtuais do site da amazon.com. O aparelho conta com uma conexão de internet que permite ao usuário baixar rapidamente qualquer livro do catálogo deles em poucos minutos, mediante pagamento é claro.
O que está em jogo portanto é a criação de uma tecnologia que pode transformar o hábito de leitura e que ao mesmo tempo é extremamente monopolista e limitada no que diz respeito ao compartilhamento da informação já que não se tem mais como emprestar um livro para alguém!
Se o Kindle realmente se tornar um item indispensável na vida moderna, como o mp3 player a amazon.com vai ser tornar um grande monstro do mercado varejista do livro. Na verdade ela já é, mas vai ficar infinitamente pior, imaginem uma mistura de godzilla, king kong e diamat da caverna do dragão! Já que todos que querem vender o seu livro digital vão ter que beijar a mão da amazon e lhe prestar oferendas em forma de porcentagens. Provavelmente essas taxas vão ser inferiores ao mercado convencional do livro que gira em torno de 50%, mas ao mesmo tempo ele cria um grande número de empregos e uma distribuição de renda entre pequenos comerciantes. Agora imaginem quantos empregos uma central de vendas pela internet cria? E se a fatia do pequeno comercio livreiro já não é grande imagine depois do Kindle?
E o compartilhamento! Os livros comprados via Kindle tem uma bola de ferro amarrado no pé, que são os DRM, proteções que os proprietários implementam no software para impedir o compartilhamento, ou pirataria para outros. E o velho hábito de emprestar livros para amigos? Foi-se! Acabou! Por isso que insisto, o que está por traz é a possível criação de um novo hábito de leitura que impede a troca e o compartilhamento.
Se o livro virtual realmente chegou para ficar, o que é bem possível, vejo de imediato as seguintes possibilidades de um futuro que não seja tão nefasto. Uma delas é que os concorrentes imediatos do Amazon como a Sony e a Nokia criem aparelhos que possam comprar em outras plataforma de vendas e dessa maneira quebrar o monopólio da amazon.com. E a outra possibilidade que imagino como a única capaz de realmente popularizar os e-readers é os chineses criarem aparelhos baratos que abram qualquer merda de arquivo, tenham conectividade total com o pc e internet.
Mas esperar a salvação da democracia da informação pêlos chineses é extremamente irônico, é como colocar um gato para matar um rato e um cachorro para matar o gato e um leão para matar o...
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Última atualização em Sáb, 09 de Janeiro de 2010 21:10 |